[Review] Livro – O Valor do Amanhã – Eduardo Giannetti

Fala galera! Resolvi fazer um review de um livro que é pouco comentado aqui na blogosfera de finanças:

Capa do Livro: O Valor do Amanhã. Autor: Eduardo Gianneti. Editora: Companhia das Letras. Descrição da imagem: Capa com fundo cinza e letras brancas na qual a letra "O" da paravra valor ´´e repetida sequencialmente de cima para baixo, em letras cada vez maiores, com suas cores alternando entre branco, vermelhor e verde..
Livro: O Valor do Amanhã, de Eduardo Gianneti

 

A princípio pode parecer que é um livro simples. Mas a grande sacada do autor é explicar os vários aspectos relativos ao funcionamento dos juros, com aplicações práticas do cotidiano. Copiando a descrição da Amazon:

Os juros fazem parte da vida de todos. O princípio econômico é simples: o devedor antecipa um benefício para desfrute imediato e se compromete a pagar por isso mais tarde, e quem empresta cede algo de que dispõe agora e espera receber um montante superior no final da transação. Em O valor do amanhã, Giannetti defende que esse aspecto dos juros é apenas parte de um fenômeno natural maior, tão comum quanto a força da gravidade e a fotossíntese. Desde o momento em que aprendeu a planejar sua vida, o homem antecipa e projeta seus desígnios usando esta prática. O hábito de fazer dieta, a dedicação aos estudos e os exercícios físicos são situações da vida prática nas quais se manifesta a realidade dos juros. É dessa maneira original que Giannetti analisa o tema. Ao extrapolar os limites financeiros do fenômeno, o autor mostra que questões concretas têm raízes comportamentais e institucionais ligadas à formação de nossa sociedade. O autor ainda discute os problemas éticos da prática de juros extremamente elevados. Apesar de não se propor a “oferecer receitas ou saídas”, o trabalho de Giannetti “reflete as experiências, preocupações e esperanças de um cidadão brasileiro enfronhado nas realidades e aspirações do seu país”.

Pode parecer enfadonho (e realmente a leitura chega a ser maçante às vezes), porém esse é um daqueles livros que precisam ser estudados e não apenas uma leitura rápida. Apesar de ser possível achar os pdf’s dele na net afora, recomendo você comprar o livro físico.  A versão da net em PDF é igual à que eu tenho porém mesmo assim, para anotações nada substitui o livro físico. Pelo tamanho dele (208 páginas, letras pequenas e páginas grandes) o preço médio de 30 reais compensa. No mais, eu vou postar aqui alguns trechos que eu gostei:

Começando pelo índice:

Primeira parte -As raízes biológicas dos juros
1. Reprodução sexuada e mortalidade
2. A bioeconomia da senescência
3. A evolução da paciência: metabolismo
4. A evolução da paciência: comportamento
5. Tempo, troca intertemporal e juros

Segunda parte – Imediatismo e paciência no ciclo de vida
6. A dilatação da dimensão temporal
7. A escolha intertemporal no ciclo de vida: infância e juventude
8. A escolha intertemporal no ciclo de vida: maturidade e velhice
9. O horizonte temporal relevante
10. Ciclo de vida, longevidade e finitude

Terceira parte – Anomalias intertemporais
11. A textura do presente — uma digressão
12. Agir no presente tendo em vista o futuro
13. A subestimação do futuro: miopia
14. A superestimação do futuro: hipermetropia
15. Cálculo econômico e uso do tempo: tempo é dinheiro?

Quarta parte – Juros, poupança e crescimento
16. O ser social e o tempo: primórdios
17. Origens sociais da solicitude perante o amanhã
18. Os determinantes da orientação de futuro
19. Poupança e acumulação: o enredo do crescimento
20. Variações do grau de impaciência: ética e instituições

Pode parecer estranho gostar do índice de um livro, mas dê uma olhada detalhada no título de cada seção. À primeira vista alguns deles não parecem estar relacionados intimamente com os juros mas a grande realidade é que eles governam boa parte da nossa vida.

 

Como vocês podem ver pelo índice o livro foi organizado em quatro partes de cinco capítulos cada, abordando, de quatro ângulos distintos e complementares, a questão dos termos de troca entre o presente e o futuro. Segue um resumo de cada parte:

A primeira parte (“As raízes biológicas dos juros”) analisa e ilustra a ocorrência de trocas intertemporais — e portanto juros — no mundo natural. Nada surge do nada. A ideia dessa seção é mostrar como os juros  fazem parte do metabolismo dos seres vivos e explicam boa parte do seu comportamento na natureza.
Além dos exemplos dos reinos vegetal e animal, o autor também examina a teoria biológica moderna do envelhecimento (que se baseia na  troca intertemporal, ou seja “viver agora, pagar depois”). A juventude, o autor explica, não vem de graça: ela é o resultado de um empréstimo que você vai pagar no futuro (na sua velhice). O envelhecimento então, nada mais é do que a conta dos juros decorrente do redobrado vigor e aptidão juvenis. Assim como a gravidade, a fotossíntese e as mutações genéticas, entre outras coisas que estão fora do nosso controle, os juros são parte da ordem natural das coisas (o que não quer dizer que não se pode envelhecer bem, basta saber usar os recursos que foram recebidos da forma correta).

O objetivo da segunda parte do livro (“Imediatismo e paciência no ciclo de vida”) é mostrar o impacto das diferentes etapas do ciclo de vida — infância, juventude, maturidade e velhice — sobre a nossa percepção do tempo e preferências (o autor tenta explicar de que modo o ciclo de vida afeta a nossa psicologia temporal). O autor sustenta que a idade exerce, juntamente com outros fatores, uma grande influência na forma como tratamos nosso futuro. O valor do futuro depende daquilo que você espera dele. A esperança de vida e as crenças e expectativas sobre o que ocorre após a morte têm um papel fundamental nisso tudo. Quando o ser humano pensa nos juros infinitos da bem aventurança eterna, não há sacrifício ou renúncia que não valha a pena. As cinco grandes religiões mundiais possuem uma doutrina comum — “obedeça agora, seja recompensado no porvir” — que expressa bem essa realidade.

A terceira parte (“Anomalias intertemporais”) aborda o problema das “armadilhas” e “ilusões de ótica” no caminho da “ação intertemporal consequente” (ou seja, até que ponto vale a pena subordinar o presente ao futuro ou vice-versa ?). Nesse sentido, existem dois problemas parecidos que controlam o valor que damos ao presente e futuro. A falta de visão temporal (miopia) envolve a atribuição de um valor mais alto ao que está próximo de nós no tempo, e aquilo que ainda está longe recebe menor valor. O contrário (a hipermetropia) ocorre quando há a atribuição de um valor excessivo ao amanhã, em prejuízo das demandas e interesses atuais. Enquanto a miopia temporal nos leva a subestimar o futuro, hipermetropia reflete uma subestimação do presente. Será que existe um ponto certo — um equilíbrio estável e exato — entre os extremos da fuga do futuro (miopia) e da fuga para o futuro (hipermetropia)? Ser moderado, o autor alega, tem seu mérito, mas até nisso é preciso encontrar um certo equilíbrio. Não se trata simplesmente de  — “nunca desejar algo além da medida” —, mas saber analisar os momentos certos para investir no presente ou no futuro.

Finalmente, a quarta parte (“Juros, poupança e crescimento”) aborda a questão dos juros e de suas implicações para o enredo do crescimento econômico a partir de um ponto de vista agregado ou coletivo. O que está por trás das variações no grau de orientação de futuro em diferentes formas de trabalho e organização social? Como entender as enormes discrepâncias nas preferências temporais e a dificuldade crônica de certas sociedades em promover a transferência ordenada de recursos do presente para o futuro? As respostas, envolvem aspectos comportamentais e institucionais. Ao observar padrões de conduta que caracterizam vastos grupos ou sociedades inteiras, o autor mostra que fatores subjacentes e comuns a todos devem estar em jogo. Escolhas intertemporais que pareceriam à primeira vista arbitrárias ou surpreendentes se revelam inteligíveis quando examinadas à luz das condições sociais em que foram moldadas e às quais se encontram finamente ajustadas.

 

Eu tentei resumir um pouco a introdução do livro, mas como vocês viram, o autor utiliza um vocabulário um tanto quanto rebuscado então ficou meio difícil. É isso aí galera, até a próxima!